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Verba, impostos e gestão: para onde vai o dinheiro investido em anúncios

Parte do valor vai para a plataforma, parte para os impostos que a Meta passou a somar no Brasil em 2026 e parte para quem opera a campanha. Separar cada uma ajuda a ler a fatura e a proteger a conta da empresa.

Por Felipe Araque · Persevere Digital · 6 min de leitura

Pessoa confere papéis e notas ao lado de um notebook aberto sobre uma mesa vermelha.
Foto: SumUp / Unsplash

Em resumo

  • A verba de mídia é paga à plataforma. A gestão é paga a quem planeja e opera as campanhas. São contas separadas.
  • Desde 1º de janeiro de 2026, a Meta repassa PIS/COFINS e ISS no Brasil: no pós-pago, R$ 100 de anúncios viram R$ 113,83 na fatura.
  • A conta de anúncios no nome da própria empresa preserva o histórico e o controle, mesmo quando quem opera as campanhas muda.

Quem anuncia na internet costuma pagar por três coisas diferentes, e nem sempre elas aparecem separadas. A primeira é a verba de mídia, o dinheiro que vai para a plataforma, Google ou Meta, e compra a exibição dos anúncios. A segunda são os impostos, que no caso da Meta passaram a ser somados à parte no Brasil a partir de janeiro de 2026. A terceira é a gestão, o valor pago a quem planeja, monta, acompanha e ajusta as campanhas, seja uma agência, um profissional autônomo ou alguém da própria equipe. Entender essa divisão ajuda a ler a fatura e evita uma confusão comum: achar que o anúncio custou caro quando, na verdade, se está somando coisas diferentes.

A verba: o que a plataforma recebe

A verba é o que coloca o anúncio na frente das pessoas. Na Meta, ela é definida como orçamento diário ou total de uma campanha. No Google Ads, como orçamento diário médio, que pode variar de um dia para outro dentro de um limite mensal.

O ponto central é que a verba é paga diretamente à plataforma, pela forma de pagamento cadastrada na conta de anúncios: cartão, boleto ou Pix. Ela não precisa passar por quem opera a campanha. Quando a conta e o pagamento estão no nome da empresa, cada real de verba fica registrado em nome de quem pagou.

Os impostos que a Meta passou a somar

Desde 1º de janeiro de 2026, a Meta repassa aos anunciantes brasileiros dois tributos que antes absorvia: PIS/COFINS, de 9,25%, e ISS, de 2,9%. Segundo a Central de Ajuda da Meta, a mudança vale para os clientes faturados pela Facebook Serviços Online do Brasil Ltda. e significa que o valor cobrado aumenta “aproximadamente 12,15%”.

A conta exata depende da forma de pagamento, e a própria Meta publica as duas fórmulas. No pós-pago, que é o cartão de crédito ou o faturamento mensal, os impostos são somados por cima: R$ 100 de anúncios custam R$ 113,83, dos quais R$ 13,83 são impostos. No pré-pago, que inclui Pix, boleto pré-pago e Mercado Pago, os impostos saem de dentro do valor depositado: de R$ 100, R$ 87,85 ficam disponíveis para os anúncios e R$ 12,15 cobrem os tributos.

Pós-pago (cartão ou faturamento mensal)

R$ 100,00 de anúncios + R$ 13,83 de impostos = R$ 113,83 na fatura

Pré-pago (Pix, boleto pré-pago, Mercado Pago)

R$ 100,00 depositados = R$ 87,85 de anúncios + R$ 12,15 de impostos

Anúncios Impostos (PIS/COFINS e ISS)

Como a Meta calcula os impostos no Brasil desde 1º de janeiro de 2026, conforme a forma de pagamento. Fonte: Central de Ajuda da Meta, “Sobre o imposto no Brasil (PIS/COFINS e ISS)”.

Há um efeito prático que confunde muita gente. A Meta informa que, no Gerenciador de Anúncios, os orçamentos de campanha não incluem impostos, independentemente da forma de pagamento. Ou seja, o gasto mostrado no painel e o valor da fatura deixam de bater, e a diferença é justamente o imposto.

A empresa também diz que parte desse valor pode ser recuperada por alguns clientes como crédito fiscal, conforme o modelo tributário de cada um, e avisa que não presta consultoria tributária. Quem tem dúvida sobre o próprio caso deve falar com o contador.

Na mesma página, a Meta explica que as notas de 2026 trazem dois tributos novos da reforma tributária, a CBS e o IBS, com alíquotas de teste de 0,9% e 0,1%. Esse valor aparece na nota, mas não é repassado aos anunciantes em 2026.

No Google, a situação é outra. Segundo reportagem do Meio & Mensagem, publicada em 22 de janeiro de 2026, o Google avisou aos anunciantes que o preço do Google Ads não mudaria em 2026 e que os novos tributos apareceriam na fatura sem acréscimo ao valor pago.

A gestão: o que se paga a quem opera

A gestão é um serviço, não mídia. Ela remunera o trabalho de escolher objetivos, definir públicos, produzir ou adaptar anúncios, acompanhar os números e corrigir o rumo. Por isso, é cobrada à parte, por quem presta o serviço, com nota fiscal própria.

Os modelos de cobrança variam. Há quem cobre um valor fixo por mês, há quem cobre uma porcentagem da verba e há combinações dos dois. Cada modelo tem uma lógica: o valor fixo acompanha o tamanho do trabalho, e a porcentagem acompanha o volume investido. Para quem contrata, o importante é saber exatamente quanto vai para a plataforma e quanto vai para a gestão, e comparar propostas somando as duas partes.

Por que a conta deve ficar no nome da empresa

Existe ainda uma questão que não aparece na fatura, mas pesa muito: de quem é a conta de anúncios. Na Meta, há três maneiras de colocar uma conta de anúncios num portfólio empresarial: criar uma nova, reivindicar uma existente ou pedir para compartilhar. A Central de Ajuda da Meta descreve o terceiro caso com o exemplo de uma agência que trabalha para um cliente: a conta continua no portfólio do dono, e só o acesso é compartilhado.

No Google Ads, o nível de acesso Admin é o que permite conceder acesso a outras pessoas, alterar níveis de acesso e gerenciar o faturamento, segundo a Ajuda do Google Ads. E, quando uma conta é desvinculada da conta de administrador de uma agência, ela “não perderá o histórico de campanha próprio”, e o proprietário pode vinculá-la a outra conta de administrador, como explica a página sobre desvinculação.

A conta de anúncios guarda o histórico de tudo o que foi testado: quais anúncios funcionaram, quanto custou cada resultado, que públicos responderam. Quando ela é criada no nome da empresa, e quem opera recebe acesso, esse histórico fica com a empresa mesmo que a gestão mude de mãos. Quando a conta pertence a outra pessoa, a empresa depende dela para continuar consultando o próprio passado.

A conta de anúncios guarda o histórico de tudo o que foi testado. Quem é dono da conta é dono desse histórico.

Portfólio da empresa

  • Conta de anúncios
  • Forma de pagamento
  • Histórico de campanhas
acesso compartilhado

Quem opera

  • Agência, profissional ou equipe interna
  • Trabalha dentro da conta da empresa
Quando a empresa é dona da conta, quem opera recebe acesso. Se a gestão mudar de mãos, a conta e o histórico continuam com a empresa. Esquema baseado na Central de Ajuda da Meta e na Ajuda do Google Ads.

Uma forma simples de ler a conta do mês

Imagine, como exemplo hipotético, uma loja de roupas que paga a verba da Meta no pós-pago e contrata alguém para operar as campanhas. No fim do mês, ela tem três números: o gasto mostrado no Gerenciador, a fatura da Meta, maior que o gasto por causa dos impostos, e a nota de quem faz a gestão.

Somados, eles dão o custo total de anunciar. Divididos pelo número de clientes que vieram dos anúncios, dão o custo de cada cliente, que é o número que de fato interessa ao dono da loja. Para chegar a ele, é preciso registrar de onde veio cada cliente. Sem esse registro, a empresa sabe quanto gastou, mas não o que o gasto trouxe de volta.

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Fontes consultadas

Consultadas em 13 de outubro de 2026.

  1. Meta. Sobre o imposto no Brasil (PIS/COFINS e ISS). Central de Ajuda da Meta para Empresas.
  2. Meta. Como adicionar uma conta de anúncios ao seu portfólio empresarial no Meta Business Suite. Central de Ajuda da Meta para Empresas.
  3. Google. Sobre os níveis de acesso na sua conta do Google Ads. Ajuda do Google Ads.
  4. Google. Desvincular contas da sua conta de administrador. Ajuda do Google Ads.
  5. Meio & Mensagem. Google avisa a marcas sobre política de preços dos anúncios. 22 de janeiro de 2026.

Apuração e redação com apoio de ferramentas de IA. Revisão e responsabilidade editorial: Felipe Araque.

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