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Quem chega por indicação pesquisa o nome da empresa antes de entrar em contato

A indicação continua sendo o caminho mais forte para muitos negócios locais. Mas, entre ouvir um nome e ligar, a pessoa costuma conferir o que aparece na internet, e o que ela encontra pesa na decisão.

Por Felipe Araque · Persevere Digital · 6 min de leitura

Mulher sorri enquanto olha o celular, sentada à mesa de um café claro, com uma xícara à frente.
Foto: Vitaly Gariev / Unsplash

Em resumo

  • A indicação traz a confiança de quem recomendou, mas a pessoa indicada ainda costuma pesquisar o nome da empresa antes de ligar ou mandar mensagem.
  • O que aparece nessa pesquisa (Perfil da Empresa no Google, site, redes sociais) pode confirmar a recomendação ou deixar dúvidas.
  • O dono não decide quando a próxima indicação vai acontecer, mas decide o que a pessoa indicada vai encontrar quando procurar.

Para muitas empresas locais, a indicação é o que traz os melhores clientes. Quem chega recomendado por um amigo, um parente ou outro profissional já vem com parte da confiança resolvida. Mas, entre ouvir um nome e entrar em contato, existe hoje um passo quase automático: a pessoa digita esse nome no celular. O que ela encontra ali não substitui a indicação, mas pode confirmá-la ou enfraquecê-la. Por isso, a pergunta útil não é se a empresa vive de indicação, e sim o que a pessoa indicada vê quando vai conferir.

A indicação continua forte, mas ganhou um passo no meio

A recomendação de alguém conhecido tem um peso que nenhum anúncio tem. Ela empresta à empresa a credibilidade de quem indicou. Isso não mudou.

O que mudou foi o caminho até o contato. Pesquisar antes de decidir virou hábito. Segundo a TIC Domicílios 2025, pesquisa do Cetic.br, do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, 57% dos usuários de internet no Brasil procuraram informações sobre produtos e serviços na rede. No Centro-Oeste, o índice é de 60%.

Procuraram informações sobre produtos e serviços Não procuraram

De cada 100 usuários de internet no Brasil com 10 anos ou mais, 57 procuraram informações sobre produtos e serviços na rede. No Centro-Oeste, 60. Fonte: TIC Domicílios 2025, tabela C6, Cetic.br/NIC.br.

A pesquisa não mede o que acontece especificamente com quem foi indicado, e o número não deve ser lido assim. Mas ele mostra que procurar informação na internet faz parte da rotina de mais da metade de quem está on-line. A pessoa que recebe uma indicação tende a fazer o mesmo: confere o endereço, o horário, o jeito de falar com a empresa e o que outras pessoas disseram.

O que aparece quando alguém digita o nome da empresa

Na maior parte das buscas por um negócio local, o primeiro resultado que chama a atenção é o Perfil da Empresa no Google, o quadro com mapa, telefone, horário, fotos e avaliações. Logo abaixo, costumam aparecer o site da empresa, se houver, e as redes sociais.

O próprio Google orienta as empresas a manter esse quadro completo. Na página de dicas sobre classificação local, recomenda conferir se as informações comerciais estão “as mais completas”, informar o horário de funcionamento, incluindo horários especiais, e responder às avaliações, porque “avaliações positivas e respostas úteis podem ajudar sua empresa a se destacar”. A mesma página informa que não há como pagar por uma posição melhor nos resultados locais.

  1. A indicaçãoUm amigo, um parente ou outro profissional recomenda um nome.
  2. A pesquisaA pessoa digita o nome da empresa no celular.
  3. A conferênciaEndereço, horário, fotos, avaliações e o jeito de falar com a empresa.
  4. A decisãoO contato acontece, fica para depois ou vai para outro nome.
O caminho entre ouvir um nome e entrar em contato. Esquema ilustrativo; os elementos da conferência seguem a Ajuda do Perfil da Empresa no Google.

Para quem foi indicado, cada um desses elementos responde a uma dúvida prática. O endereço diz se fica perto. O horário diz se dá para ir depois do trabalho. As fotos mostram o lugar. As avaliações, e principalmente a forma como a empresa responde a elas, mostram como ela trata quem já foi cliente.

Quando a pesquisa não confirma a indicação

Imagine, como exemplo hipotético, uma clínica de fisioterapia recomendada por um colega de trabalho. A pessoa pesquisa o nome e encontra um Perfil da Empresa sem horário, com um telefone que ninguém atende e duas avaliações antigas sem resposta. No Instagram, a última publicação é de muitos meses atrás. Nada disso prova que a clínica é ruim. Mas cada detalhe acrescenta uma pequena dúvida a uma decisão que parecia resolvida.

Muitas vezes, a pessoa também recebeu mais de um nome. Quando há duas ou três opções, a pesquisa deixa de ser só uma conferência e vira uma comparação. Ganha vantagem a empresa que responde às dúvidas antes de a pessoa precisar perguntar.

Há ainda um ponto menos visível. Uma empresa que depende só de indicação não controla quando o próximo cliente vai chegar: isso depende de alguém lembrar dela na conversa certa. O dono não decide quando a próxima indicação vai acontecer. Mas decide o que a pessoa indicada vai encontrar quando procurar.

Por que só o Instagram costuma não bastar

Muitas empresas resolvem a presença na internet com um perfil no Instagram, e ele cumpre bem parte do papel: mostra o trabalho, o ambiente e as pessoas. O limite está em outro lugar. A conta fica dentro de uma plataforma com regras próprias. Os Termos de Uso do Instagram dizem que o Instagram pode remover conteúdo que considere em desacordo com suas políticas, desativar ou encerrar contas nesses casos e alterar os próprios termos.

A indicação abre a porta. O que aparece na pesquisa ajuda a decidir se vale a pena entrar.

O site funciona de outro jeito. Ele fica num endereço da própria empresa: um domínio .br pode ser registrado por pessoa física ou jurídica e custa R$ 40 por ano no Registro.br, a entidade responsável pelos domínios brasileiros. O conteúdo é escrito e organizado pela empresa, sem depender do formato de uma rede social.

O site também aparece de outra forma no Google. Cada página pode responder a uma pergunta diferente: o que a empresa faz, como funciona um serviço, onde ela atende, quanto tempo leva um atendimento. Assim, além de confirmar o nome para quem foi indicado, o site pode ser encontrado por quem ainda nem conhecia a empresa e pesquisou pelo serviço.

Por fim, o site permite medir. Com o Search Console, ferramenta gratuita do Google, é possível ver por quais buscas as pessoas chegaram ao site, quantas vezes ele apareceu e quantas vezes foi clicado, como descreve a página do relatório de desempenho. Quando muita gente procura pelo nome da empresa, é um sinal de que a conversa sobre ela está circulando.

O que cada canal resolve para quem pesquisa o nome da empresa
CanalO que mostraQuem define as regras
Perfil da Empresa no GoogleMapa, horário, telefone, fotos e avaliaçõesO Google, a partir das informações da empresa
InstagramO trabalho, o ambiente e as pessoasA plataforma, pelos Termos de Uso
SiteO que a empresa faz, para quem e onde, no formato que ela escolherA empresa, no próprio domínio
Os três canais se completam. Com base na Ajuda do Perfil da Empresa no Google, nos Termos de Uso do Instagram e no Registro.br.

O que a pessoa indicada precisa encontrar

Não é preciso muito para a pesquisa trabalhar a favor da indicação, mas é preciso que as informações estejam certas e combinem entre si. O nome da empresa deve ser o mesmo no Perfil, no site e nas redes, para a pessoa ter certeza de que achou o lugar certo. O telefone e o WhatsApp precisam estar atualizados e ser atendidos. O horário, inclusive em feriados, evita a viagem perdida.

Também ajuda deixar claro, em poucas linhas, o que a empresa faz, para quem e onde atende. A pessoa indicada às vezes recebeu só o nome e uma frase vaga como “é muito boa”. O site e o Perfil completam essa frase. E as avaliações, respondidas com educação, inclusive as negativas, mostram que existe alguém cuidando do atendimento.

Para quem atende pelo celular, vale ainda abrir o próprio site no telefone de vez em quando e conferir se ele carrega rápido e se o botão de contato funciona. É assim que a maioria das pessoas indicadas vai vê-lo.

A indicação continua sendo o começo

Nada disso diminui o valor do boca a boca. Para muitos negócios, ele seguirá sendo a principal fonte de clientes. A diferença é que, hoje, a recomendação raramente chega sozinha: ela vem acompanhada de uma pesquisa feita em poucos segundos, no celular, antes da primeira mensagem.

Cuidar do que aparece nessa pesquisa é uma forma de proteger as indicações que a empresa já conquistou. A confiança que o cliente antigo emprestou chega inteira a quem foi indicado quando a pesquisa confirma o que ele ouviu.

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Fontes consultadas

Consultadas em 19 de outubro de 2026.

  1. Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), Cetic.br. TIC Domicílios 2025, tabela C6: usuários de internet, por atividades realizadas na internet, busca de informação. Cetic.br.
  2. Google. Dicas para melhorar sua classificação local no Google. Ajuda do Perfil da Empresa no Google.
  3. Instagram. Termos de Uso. Central de Ajuda do Instagram.
  4. Registro.br. Sobre domínios. Registro.br, NIC.br.
  5. Google. Relatório de Performance (resultados da Pesquisa). Ajuda do Search Console.

Apuração e redação com apoio de ferramentas de IA. Revisão e responsabilidade editorial: Felipe Araque.

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